sábado, 25 de agosto de 2007

Conversas de Cigana




















tão lindas poesias...
e eu aqui,
quase deixando passar pelo dia
o ar frio da melancolia...


~~

UAL!!!!
eu me absolvo
em nome dos vidros quebrados...
dos cacos dos espelhos
faço uma bola maravilhosa,
coloco no teto,
jogo luz em cima,
e pronto!

ritmo de boate...
vamos dançar!

rsss.

adorei tudo,
amei o Ilusões do RBach
em e-book
poeta,
tu gosta mesmo de mim...

eu sinto bem essas coisas!
eu tb gosto muiiiito de ti.


Deixo aqui
um trem de abraços
um cesto de beijos
ou melhor,
o cesto de pão do Dali
para ti.

~~~~~

AH poeta...
pára...
pára. vai....
eu me confundo,
a poesia sempre me confunde,
Netuno na área,
me perco,
me dissolvo,
viro ela
já corro para a janela
e já nem sei mais...

~~~
Meu Deus...
é lindo demais ...
maravilhoso...
tem horas
que me sinto a Florbela
tem hora
quero ser ela
tem hora
que tu vira o meu poeta...
~~~

é..
?
sei não...
minha história de amor
é de trás pra frente
rsss
se ri se chorei
não sei não me lembro
e se lembrasse
já teria esquecido
o agora
me absolve
e me basta
...

até sabe deus
quando...
~~~

discordo tanto
do poetinha Fernandinho...( F.Pessoa)
em muitos perfis dele discordo...

como se fosse
um poeta cheio
de perfis fakes no orcuti

Pessoa não realizou
o amor homem-mulher

era bom de poesia,
mas não era bom como amante,
não sabia seduzir uma mulher,
não tinha olhos
para a realidade do amor,
se for para generalizar,

eros e psiquê,
digamos,

então a história muda...

Eu acredito no amor
entre duas pessoas,
é o meu ponto de vista,
acredito que duas pessoas,
duas almas com um desígnio a cumprir
vão bem além
da mera formalidade
da união do casamento
da relação,

são guerreiros,
meu bem,
guerreiros siderais
e cósmicos,

são eternos
os lances amorosos
desses pares...

rsss

veja o exemplo na literatura,
quantas realizações!

sei que juntos
somos invencíveis...

Isto pra mim
não é papo furado
nem utopia

é a única realidade possível.

entende,
meu anjo?
~~~

AÊ!!!!!!
rssss

se der, beleza,
se não der, tudo bem,
amanhã a gente recomeça,
olha o horizonte,
nunca esteve tão lindo....

em último caso
olho para o espelho
e me amo
rsss
quem sabe,
então,
eu morra logo
e retorne para ter
outra chance
de encontrar
a energia cósmica
do amor
...
~~~~~


__________________________________________


e é isso

então moça bonita e cigana

neste dia frio
um bom lugar pra ler um livro?
e o pensamento só em você?

1/2 beijo


aNTONIocARLos
!
2007
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

Loucura ?

Clique sobre a foto para ampliar...



























E aí
Eu comecei a cometer loucura
Era um verdadeiro inferno
Uma tortura
O que eu sofria por aquele amor
Milhões de diabinhos me martelando
Meu pobre coração que agonizando
Já não podia mais de tanta dor

E aí
Eu comecei a cantar verso triste
O mesmo verso que até hoje existe
Na boca triste de algum sofredor
Como é que existe alguém
Que ainda tem coragem de dizer
Que os meus versos não contêm mensagem
São palavras frias, sem nenhum valor

Oh! Deus, será que o senhor não está vendo isto
Então por que é que o senhor mandou Cristo
Aqui na Terra semear amor
Quando se tem alguém
Que ama de verdade
Serve de riso pra humanidade
É um covarde, um fraco, um sonhador
Se é que hoje tudo está tão diferente
Por que não deixa eu mostrar a essa gente
Que ainda existe o verdadeiro amor
Faça ela voltar de novo pra o meu lado
Eu me sujeito a ser sacrificado
Salve seu mundo com a minha dor


.....
Música: Loucura
Autoria: Lupicinio Rodrigues


e se quiseres ouvir a música: http://www.paixaoeromance.com/70decada/loucura79/hloucura.htm

na voz de Maria Bethânia, pra você....



então dona moça
este amor é mesmo uma loucura
não é?


1/2 beijo

......aNTONIocARLos

ah! gosto
2°°7






Porque os outros

...

















...

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

By Sophia de Mello Breyner Andresen



e é isso moça bonita
sempre os outros
mas tu não
especialmente neste sábado

antoniOCarlos
2°°7
__________________________________________
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Breve Consideração

...



















...


Que ano mais sem critério
esse de 73
Levou para o cemitério
três Pablos de uma só vez

Três Pablões, não três pablinhos
No tempo como no espaço
Pablos de muitos caminhos:
Neruda, Casals, Picasso.

Três Pablos que se empenharam
contra o fascismo espanhol
Três Pablos que muito amaram
Três Pablos cheios de Sol.

Um trio de imensos Pablos
em gênio e demonstração
Feita de engenho, trabalho
Pincel, arco e escrita à mão.

Três publicíssimos Pablos:
Picasso, Casals, Neruda
Três Pablos de muita agenda
Três Pablos de muita ajuda.
Três líderes cuja morte
o mundo inteiro sentiu

Oh ano triste e sem sorte
Vá pra puta que o pariu

Breve consideração à margem do ano assassino de 1973
Vinícius de Moraes
CD Saravá, Vinícius – 1






e é isso moça bonita

neste agosto a contragosto


antoniOCarlos
2°°7
__________________________________________
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Um dia

...











...

Um dia quando eu não menstruar mais
vou ter saudade desse bicho sangrador mensal
que inda sou
que mata os homens de mistério


Vou ter saudade desse lindo aparente impropério
desse império de gerações absorvidas


Desse desperdício de vidas
que me escorre agora mês de maio.


Ensaio:
Nesse dia vou querer a vida
com pressa
menos intervalo entre uma frase e outra
menos res-piração entre um fato e outro
menos intervalos entre um impulso e outro
menos lacunas entre a ação e sua causa
e se Deus não entender, rezarei:


Menos pausa, meu Deus
menos pausa.


Quanto Mais Vela Mais Acesa ~ Elisa Lucinda



e é isso moça bonita


amanhã Porto Alegre - Congonhas
voo das 7 da manhã
domingo Congonhas -Porto Alegre
vôo das 17:25 da tarde

espero que os reversos da Varig e os gruvins de Congonhas estejam perfeitos
caso contrário me encontre no posto de gasolina

no final da pista....risos




ou como diz o Viniciús:

"Pai
Vem pela BRA que é a mais confiável, pois sua frota é velha, e como já diz o ditado “não se faz mais aviões como antigamente!”.
Afff.. chuta que é macumba !
Bjs
Vinicius de Oliveira

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

antoniOCarlos
2°°7
__________________________________________
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V


terça-feira, 14 de agosto de 2007

O carteiro e o poeta

...




















...


Levava correspondências a Neruda
aquela alma nada calma
naquela boca muda
A tristeza da rede pescadora
do pai na alma dele
levava nele a sede
do que ainda não sabia
O pai pescador não ria
O pai pescador não via
o mar na alma da cria.

Enfim levava cartas a Neruda
e alguma palavra brotava
daquela boca miúda
alguma força raçuda
começou de leve como uma onda
a ocupar-lhe o nexo
Uma espécie de sexo
entre língua e dentes
nascia em poema
sob os olhos inocentes
Maior que a razão
era uma iniciação
feita a bicicletadas e ilhas
pernas vinco vínculo e coração.

Pra quem não conhecia metáforas
estava muito bem
como peixe que mordeu
a isca da poesia
e foi por ela salvo e morto
ao mesmo vento.

(Deus, que movimento, que acontecimento
que evento pode dar tanto esclarecimento
e poço a alma ao mesmo tempo?)

Levava correspondências a Neruda
e se correspondia
com sua alma nuda
seu perdiz:
A poesia
um poeta e uma Beatriz.

Bate onda forte, bate!
Circulatória. Cardíaca. Irreversível.
Baixem as armas
que o poeta recebeu as perguntas
as charadas
as respostas
as missivas

Baixem as armas
que o carteiro vive e agoniza certo.
Baixem as armas
que o carteiro provou do verso.


O carteiro e o poeta ~ Elisa Lucinda
Escrito em 5 de janeiro de 1996, incluído em Euteamo e suas estréias (editora Record, 2000).




e é isso moça bonita
nesta terça de tempo quente
e saudades mais quentes ainda



antoniOCarlos
2°°7
__________________________________________
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Há dias

...


















...

Ha dias que no se lo que me passa
Eu abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo o futebol

Mas não tem nada não
Tenho meu violão

Acordo de manhã pão com manteiga
E muito muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego a achar Herodes natural...


Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe o nosso dia vai chegar
E rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar...

Aos sábados em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais

Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus escute amigo
Se foi pra desfazer porque é que fez


Cotidiano nº 2 ~ Toquinho e Vinícius de Moraes ~LP São demais os perigos desta vida, 1972

e é isso moça bonita
hoje é um dia destes...

antoniOCarlos
2°°7
__________________________________________
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

sábado, 11 de agosto de 2007

Eu vejo...

...



















...



Sempre escrevo o que sinto,
mas a verdade
é que eu também tenho
um lágrima caída
no infinito das recordações,
é o espelho,
aquele que te vê,

Eu procuro e vejo sempre
a mesma imagem
no espelho ao lado,
o mesmo rosto,
a mesma voz...



Eu quero me livrar disto,
deste laço do destino...


Algumas mulheres seduzem,
brincam com o inusitado,
o amor...


Outras querem acreditar
na segurança do afeto material,


E eu quero a beleza ,
a verdade,
o sol nascendo
e me deixando feliz,
fazer amor naquela hora
e depois cantar
tomando o café da manhã
com meu amor...



Eu vejo a vida
passar nua de concretude,
mas carregada de ações
que movem os sentimentos,
eu vejo homens e mulheres
presos no passado,
carentes de afeições,
acalentados por
falsos olhares de interesses,
e uma libido ameçada
pela aprovação
de comentários de terceiros,

Eu me sinto pequeno
e grandiosamente recompensado
por todas as falas
que não ouvi,
os sussurros
que não encontrei
em êxtases ,
nos olhares
perdidos de amor
não correspondido...



Sim, foi bem assim,
o vazio se instalou aqui,
o meu amor calou,
ele faz parte
do silêncio dos sofredores
aprisionados em seus lares comportados,
medrosos do amor
que corrompe a alma
em música sem autor,
em danças descompassadas
de ritmos sedutores e mansos
de suor e prazer...

O vazio,

ele me consome...


A alma
que eu penso ser minha
està por aí
nos ventos,
nos goles dos copos
dos cegos
da dor de amar...


Eu vejo muitas exigências,
pouco conteúdo,
e me entristeço.

A vida está passando
e eu continuo acreditando
que um dia
a verdade que eu espero
vai chegar...

Mas eu vivo,
eu canto,
eu te ouço,
eu vou dormir,
e não sei mesmo
o que vai ser de mim
quando o dia recomeçar....

Se você diz que vem
quem sabe,
eu posso esperar...

e é isso
nesta quase noite
de domingo






Beijos, moça




hoje
muitos........



antoniOCarlos
2°°7

__________________________________________
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O amor da minha vida

...















..
Diferenças de idade...

Tua caminhada
ainda não terminou....

A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida
necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã
sentires saudades,
lembra-te da fantasia
e sonha
com tua próxima
vitória.

Vitória que todas
as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória
que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás
encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá
de ver sempre
o lado bom
da chuva que cai
e não a faceta
do raio que destrói.

Tu és jovem.

Atender
a quem te chama
é belo,
lutar por quem
te rejeita
é quase chegar
a perfeição.

A juventude
precisa de sonhos
e se nutrir
de lembranças,
assim como
o leito dos rios
precisa da água
que rola
e o coração
necessita de afeto.

Não faças
do amanhã
o sinônimo
de nunca,
nem o ontem
te seja o mesmo
que nunca mais.

Teus passos ficaram.

Olhes para trás...
Mas vá em frente
pois há muitos
que precisam
que chegues
para poderem
seguir-te.

Sir Charles Chaplin –

















Charles Chaplin (1889 - 1977)

Charles Chaplin nasceu em Londres,
no dia 16 de abril de 1889.

Sua família era pobre
e Chaplin passou
grande parte de sua infância
em um orfanato.

Chaplin nunca soube a identidade
de seu pai verdadeiro.

Sua mãe, Hannah, era uma atriz mal sucedida
que passou a infância de Chaplin
em institutos psiquiátricos.

Chaplin e seu irmão cresceram como órfãos.

Seu padrasto era alcoólatra,
tendo abandonado sua mãe
quando Chaplin ainda era criança.

...


Desde os cinco anos,
Chaplin e seu meio-irmão Sidney
faziam apresentações pelas ruas.

Chaplin deixou a escola aos 10 anos
e foi trabalhar como mímico.

Em 1910, ele viajou para os Estados Unidos
com seu grupo de mímica,
os Comediantes Silenciosos de Fred Karno,
permanecendo no país.

Em 1913, Chaplin
juntou-se aos Estúdios Keystone,
na Cidade de Nova Iorque.


Ainda em 1914, com o filme
“Corridas de Automóveis para Meninos”,
surgiu o personagem do Vagabundo,
representado pelo próprio Chaplin.

O Vagabundo se tornaria
um marco na carreira de Chaplin.


Em 1916,
em seu terceiro ano
na indústria cinematográfica,
Chaplin recebia um salário
de $10,000 por semana,
o que o tornava, na época,
o ator mais bem pago do mundo.


Em 1927,
na industria cinematográfica,
o som foi o introduzido
à produção de filmes.



Chaplin se recusou
a adicionar voz aos seus personagens,
continuando a trabalhar com a mímica.


Chaplin apenas veio
a mudar de linha em 1940,
com seu primeiro filme falado,
em um de seus melhores filmes,
O Grande Ditador.



Apesar de ter vivido
décadas nos Estados Unidos,
Chaplin nunca se tornou
um cidadão americano.

Ele se considerava
um cidadão do mundo,
rejeitando e ridicularizando
qualquer tipo de patriotismo.

Em 1952,
dois dias após partir
para a Inglaterra para promover
seu novo filme,
Chaplin teve
seu visto de entrada
para os Estados Unidos
removido.

Ele então foi morar na Suíça,
onde viveu até o fim de sua vida
com sua esposa Oona e sua família.

Em 1972,
20 anos após ter tido
seu visto americano confiscado,
Chaplin foi convidado
a voltar aos Estados Unidos
para receber um Prêmio Honorário,
na cerimônia de entrega do Oscar,
por suas contribuições
à indústria cinematográfica.

Na premiação,
Chaplin recebeu
a maior ovação
de toda a história do Oscar.


Três anos depois, em 1975,
Chaplin recebeu
uma das maiores honrarias
que um artista pode receber:
foi condecorado
Cavaleiro do Império Britânico
pela rainha Elizabeth II,
obtendo assim seu título de Sir.

Apesar de muito admirado
por seu trabalho,
Chaplin era freqüentemente
criticado em sua vida pessoal.

Casou quatro vezes,
sempre com mulheres
bem mais jovens,
e estas uniões
não duravam muitos anos.

A única que durou
foi com Oona O'Neil
a quarta e ultima esposa
que segundo ele ,
era a mulher de sua vida,
se casou em 1943,
quando tinha 54 anos e ela 17
com uma diferença de idade de 37 anos.

Com Oona O'Neil,
Chaplin teve oito filhos,
entre eles Geraldine Chaplin
que depois viria a ser atriz.

Viveram juntos
até a morte de Chaplin
em 25 de dezembro de 1977,
quando ele tinha 88 e ela 51 anos.

Oona O'Neil
faleceu 14 anos depois
com 65 anos em 1991.
















Jamais conseguiu
voltar a vida normal
depois da morte
de Charles...

...
é isso
não é?

porque o homem
não morre
quando deixa de viver
mas sim quando
deixa de amar...

e ninguém mais
que o grande amor
da vida dele
sabia
o significado disso...

pense nisso...

mais?
prá quê?
__________________________________________


aNTONIocARLos


então...

1/2 beijo
2007
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dos sonhos...

...
















...

dos meus sonhos...
A moça do sonho
...súbito me encantou
a moça em contraluz

Arrisquei perguntar:
- Quem és?

Mas fraquejou a voz

Sem jeito
eu lhe pegava as mãos
como quem desatasse um nó

Soprei seu rosto
sem pensar
e o rosto se desfez
em pó

Por encanto voltou
cantando
à meia voz

Súbito perguntei:
- Quem és?
- Sabes... - respondeu...

Mas oscilou a luz
fugia devagar de mim
e quando a segurei,
gemeu
e o seu vestido verde
se partiu
e o rosto
já não era o seu

Há de haver algum lugar
um confuso casarão
onde os sonhos
serão reais

e a vida não

Uma antena parabólica
que fosse para
à noite se deitar
abraçado e ver estrelas

sem ver televisão


E sempre tocaria ao fundo
uma trilha sonora
daquelas de brotar
agua nos olhos
de sorrir e de dançar

sem ligar jamais pro mundo



Um lugar no alto da montanha
onde se possa ouvir
as mensagens do vento
e o sussurro do mar
com palavras
sempre doces

prá quem não para de sonhar



Por ali reinaria o "meu bem"
com seus risos,
suas asas de anjo,
seus ais,
sua tez

E uma cama onde à noite
sonhasse comigo....

Talvez...

Um lugar deve existir
uma espécie de bazar
onde os sonhos
extraviados
vão parar

Entre escadas
que fogem dos pés
e relógios
que rodam pra trás

Se eu pudesse
encontrar meu amor

......não voltava jamais




é isso...

Moça
dos
sonhos
mais
bonitos

e vem
que eu
te quero tanto
__________________________________________

aNTONIocARLos

1/2 beijo
2007
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

CRÔNICA

...


















...

Crônica

Um pequeno des ...encontro...

Enquanto ela olhava o chão,
ele olhava o céu

Ela via o assoalho,
ele vestia o agasalho,
saía...

Subia...

Admirava as nuvens
que encobriam os edifícios,
os outdoors ainda apagados...

As copas floridas das árvores
perfil de encontro ao céu,
a rotina dos pássaros
e as asas coloridas dos aviões
e outros sonhos
alados...

Falcões

Ela encerava
os tacos de madeira da sala
no abrigo das sombras
de concreto
no teto...

Ele ouvia o barulho dos automóveis,
engolia,
cheirava e sentia a vida
no sonho aventureiro
de sair voando
e conhecer o mundo inteiro...

Ele ganhava dinheiro,

Ela usava Comfort na roupa
e esfregava com garra
os azulejos do banheiro...

Ele sonhava a macia glória
de amor com a companheira...

Ela contava história
e trocava os prantos
com a cabeleireira...

Com zelo preparava o leito
que à noite acolhia seu corpo
cansado e em sentinela.

E dizia não,

Temia a lua e jamais , jamais...
Dormiria nua...

Ele que ficasse só
admirando a lua,
fumando frente à janela...

E os sonhos,
ele vencido,
guardava-os no porão
com as sete chaves
da imaginação...

Ilusão?

Vedava os vãos,
cerrava as pálpebras
para não escapar-lhe o sim.

Protelava, assim, o fim.

Ele queria ir
Ela, ficar

Ela não era aquela
Ele era outro

Ele passou
Ela chorou e ele nem viu
e quando acordou
já era o fim

Ela ficou

Ele saiu,
e pela janela;

Voou...
------------------------------------>
E foi assim...





aNTONIocARLos

__________________________________________


e é isso

então moça bonita
como você mesma diz:
e é assim....sempre

julho se foi
agora tem que ser a gosto

então...

1/2 beijo com gosto
2007
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

Hilda Hilst

ENJOY IT

Acorde final...

...


























































Acorde Final...

"Eu havia colocado no toca-discos
aquele disco com poemas
de Vinícius e do Drumonnd,
disco antigo,
long-play,
o perigo são os riscos
que fazem a agulha saltar,
felizmente até ali
tudo tinha estado liso e bonito,
sem pulos e sem chiados,
o próprio Vinícius,
na sua voz rouca de uísque e fumo,
havia recitado os sonetos
da separação,
da despedida,
do amor total,
dos olhos da amada.


Chegara finalmente
o último poema,
meu favorito,
"o haver"

- o Vinícius percebia
que a noite estava chegando,
tratava então de fazer
um balanço de tudo
o que se fez e disso,
o que foi que
sobrou?

Por isso
as estrofes
começam todas
com uma mesma palavra,
"resta..."

- foi isso que sobrou.


Resta essa capacidade de ternura,
essa intimidade perfeita
com o silêncio...

Resta essa vontade
de chorar diante da beleza,
essa cólera cega
em face da injustiça
e do mal entendido...

Resta essa faculdade
incoercível de sonhar
e essa pequenina luz
indecifrável
a que às vezes os poetas
tomam por esperança...


Começava
naquele momento
a última quadra,
e de tantas vezes lê-la
e outras tantas ouvi-la,
eu já sabia de cor as suas palavras,
e as ia repetindo dentro de mim,
antecipando a última,
que seria o fim,
sabendo que tudo o que é belo
precisa terminar.


O pôr-do-sol é belo
porque as suas cores
são efêmeras,
em poucos minutos
não mais existirão.

A sonata é bela
porque sua vida é curta,
não dura mais
que vinte minutos.


Se a sonata
fosse uma música sem fim
é certo que o seu lugar seria
entre os instrumentos
de tortura do diabo,
no inferno.


Até o beijo...

Que amante suportaria
um beijo
que não terminasse nunca?



O poema também tinha de morrer
para que fosse perfeito,
para que fosse belo
e para que eu tivesse
saudades dele,
depois do seu fim.


Tudo o que fica perfeito
pede para morrer.


Depois da morte do poema
viria o silêncio,
o vazio.


Nasceria então
outra coisa no seu lugar:
a saudade.

A saudade
só floresce na ausência.


É na saudade
que nascem os deuses
- eles existem
para que o amado
que se perdeu
possa retornar

- que a vida seja como o disco,
que pode ser tocado
quantas vezes se desejar.


Os deuses
- nenhum amor tenho por eles,
em si mesmos.

Eu os amo só por isso,
pelo seu poder
de trazer de volta
para que o abraço se repita.

Divinos não são os deuses.

Divino é o reencontro.


A voz de Vinícius
já anunciava o fim.


Ele passou a falar mais baixo.

Resta esse diálogo cotidiano
com a morte,
esse fascínio
pelo momento a vir,
quando, emocionada,
ela virá me abrir a porta
como uma velha amante...


E eu, na minha cabeça,
automaticamente me adiantei,
recitando em silêncio
o último verso:

".. Sem saber
que é a minha
mais nova namorada."


Foi então que,
no último momento,
o imprevisto aconteceu:

a agulha pulou para trás,
talvez tenha achado
o poema tão bonito
que se recusava
a ser uma cúmplice do seu fim,
não aceitava a sua morte,
e ali ficou a voz morta do Vinícius
repetindo palavras sem sentido:


"sem saber que é a minha mais nova"...
"sem saber que é a minha mais nova"...
"sem saber que é a minha mais nova..."


Levantei-me do meu lugar,
fui até ao toca-discos,
e consumei o assassinato:

empurrei suavemente
o braço com o meu dedo,
e ajudei a beleza a morrer,
ajudei-a a ficar perfeita.


Ela me agradeceu,
disse o que precisava dizer,
sem saber que
é a minha mais nova namorada...

Depois disso foi o silêncio.


Fiquei pensando se aquilo
não era uma parábola
para a vida,
a vida como uma obra de arte,
sonata,
poema,
coreográfico.


Já no primeiro momento
quando compositor,
ou o poeta ou o dançarino
preparam a sua obra,
o último momento
já está em gestação.

É bem possível que
o último verso do poema
tenha sido o primeiro
a ser escrito
por Vinícius.

A vida é tecida
como as teias de aranha:
começam sempre do fim.


Quando a vida começa do fim
ela é sempre bela
por ser colorida
com as cores do crepúsculo.


Não,
eu não acredito
que a vida biológica
deva ser preservada a
qualquer preço.

"para todas as coisas
há o momento certo.


Existe o tempo de nascer
e o tempo de morrer"
(Eclesiastes 3, 1s).


A vida não é uma coisa biológica.


A vida é uma entidade estética.


Morta a possibilidade
de sentir alegria diante do belo,
morreu também a vida,
tal como Deus no-la deu
- ainda que a parafernália
dos médicos
continue a emitir
seus bips
e a produzir
ziguezagues
no vídeo.


A vida é como aquela peça.


É preciso terminar.


A morte
é o último acorde que diz:
está completo.

Tudo o que se completa
deseja morrer".



by Ruben Alves

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

e foi isso
moça


e ao mesmo tempo
tudo o que falta
sempre
encontra
o porquê...

a falta
que sentimos
de algo
que não
se vê...



aNTONIocARLos


Ah! Gosto!
2oo7
:)



sábado, 28 de julho de 2007

Se eu partir !!!

...






















Se eu partir !!!


Se eu partir e tempo não houver

para despedir-me,
diga ao anoitecer

que fui!


Mas que deixe a lua

no céu,
a estrela

no firmamento...

Que fui com o vento!


Diga ao mar
obrigado
pelo infinito azul,
pelas ondas cantantes
nas praias distantes
de norte a sul.


Às aves do céu
minha gratidão
pelas manhãs barulhentas!


Ao vento,
obrigado!

Pelos recados
costumeiros,
fiel mensageiro
da minha saudade...

As flores dos jardins,
das campinas
sem fim,
meu amor

por inteiro.


Perfumaram-me os sonhos,
louros
e derradeiros.

Se eu partir
e tempo não houver
para despedir-me...


Agradeça a chuva

que regou os meus campos,
brotou minha semente,
embalou
o meu sono.

As montanhas altaneiras,
rios e cachoeiras
que banharam
meus filhos!


Ao sol da manhã,
obrigado,
obrigado,
pelo calor,
pelo brilho!

Aos amigos verdadeiros,
pelo afago
e as palavras.

A minha mãe,
obrigado,
pelas canções
com que me ninava.

Pelas lendas
e histórias...

Pelos meus
contos de fadas!

Agradeça por mim,
meu velho pai,
nossas brincadeiras...


E os segredos,
que os guarde
pela vida inteira!

Agradeça por mim,
ao senhor.

Se eu partir
e tempo não houver
nem ninguém
prá me ouvir...


Deixei amor !!!




J.Geraldo Martinez



:)




e é isso Moça Bonita

_____________

aNTONIocARLos

cada dia mais apaixonável...
nesta Porto Alegre de um domingo frio de 4 graus!

julh..............Oh!
2oo7
:)

INEBRIANTES NA DANÇA DO AMOR

...



















INEBRIANTES NA DANÇA DO AMOR


Minha mente é só desejo:
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.

Eu sou,
inteiramente,
lua,
nua,
tua.

Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.

Tu
infinitamente
no meu
íntimo...

Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...



................Ana Cristina Pozza




e é isso

e depois

muito além...



mas tudo bem...

boa noite

porém!

:)




e é isso Moça Bonita

_____________

aNTONIocARLos
nesta Porto Alegre de noite fria de 6 graus!

julh..............Oh!
2oo7
:)

Hoje

















...
É...
O cenário da minha vida
começa a ganhar novos ares,
diretrizes de movimento.



É o primeiro de um longo ato;
aberto, paulatino,
embora denote
uma certa agudeza não branda
de coisa consumida
pelo medo do ontem e de hoje,
mesclado ao desgaste prévio
que é a coragem do agora.

Mas é de uma
coragem robusta, quase
de uma paixão sólida, toda .


Eu reparei que o vento
sopra diferente
quando a gente
plaina só com a imaginação.

A altitude das realizações
faz toda a diferença,
mesmo que não se queira
medir tudo a partir do nível do mar.

Na hora de contar a história,
tem gente que começa
pelo meio dela.

E dá certo.

Mas na hora de vivê-la,
não há jeito,
existe um ponto de partida,
que é sempre a transição
do que existia antes
para o que começa a existir depois.

E tem meios materiais
essa transição.

Muita gente prefere
alinhar o parlamento íntimo
ao status quo.

É uma opção razoável, claro,
sobretudo quando se é permitido
optar por alguma coisa nessa vida.

Mas há um establishment aqui dentro
que não se alinha a nada,
que guerreia o tempo todo
com a heterogenia do de dentro,
que brinca com qualquer
mecanismo auto-sustentável
e que nunca referenda a palavra eterno.
Enquanto dure?


Há caminhos demais nesse mundo
para que algum
pregoeiro soturno
anuncie uma forma
que se aplique
a todas as formas.

Aceitar uma única norma
é normatizar a norma,
fazer de uma possibilidade,
todas as possibilidades
em você.

É dormir com a falsa sensação
de ter feito a escolha certa,
fazer da afloração da vida
um álibi perpétuo de si mesma.

Pôr um padrão
como se põe uma roupa,
na pressa de ter de escolher
a combinação mais perfeita.

Acreditar numa resposta só,
para a mesma pergunta,
pode alimentar muitas dúvidas,
pode ser perigoso demais
para as nossas inseguranças.

Só que dormir sem elas,
sem as nossas
interrogações de cabeceira,
é que não é nada seguro.

Perder a chance
de fazer outra pergunta.

Conforto vencido é ação,
mesmo que a ação consista
em subir dez andares
até sentir que subiu um.

Ou se vai de elevador,
ou sobe os pés
nas rampas crescentes
da auto-superação.

Hoje eu precisei
de ascensorista,
de guindaste,
venci a gravidade
sem esforço algum.

Aquelas rampas
são esquadros perfeitos,
umas sobre as outras.

São leves de se olhar.

Eu bem que podia
escorrer por elas,
os meus ângulos retos,
e divisar lá de baixo
menos sujeira
com que se olha
o parapeito de um século,
a barra suja de uma calça,
um veneno suave de se tomar.

Não há tanto esforço
olhando aqui de cima,
os metros sobre o chão.

E no cinza descascado
da pele no muro,
pelo sol ardido
de uma manhã já posta,
numa mesa de domingo,
a mesa sob qual
eu protejo meus pés
da inevitável descida,
a mesa improvisada
onde assino
' ciente de que
não há mais procura',
despejo minhas
possibilidades outonais.

Aceno em despedida
para algumas almas
que estavam na fila
como quem cumprimenta damas
há dois séculos daqui.

Aprovação que tem nome,
sobrenome,
pontuação;
tem olhos ainda tristes,
mas tem sorrisos afáveis
que escondem
as muitas chances
da felicidade.

E quem nem mesmo
chegou ao primeiro andar
dessa vida, tem outra sorte:
a de ambulante.

A sorte dele
é diferente da minha,
que posso optar pela felicidade,
que posso abandonar
um monte de possíveis felicidades
para retomar a vida,
em nome de uma busca
que se fazia a tempo,
tão subjetiva quanto concreta,
porque norteia
o pensamento objetivo,
da mesma maneira
que preenchia abstratos sentimentos.

Eu que assinei em email,
estar ciente,
não estou ciente de nada.

Tenho dez rampas para descer,
mas tomarei o elevador
porque é mais fácil
descer sem pés.

Tenho alguns dias até a prova
que mede a gente de zero a dez.

Será que me darás um zero?
Será que me darás um dez?

Tem fontes, tem a pauta,
tem a apuração de sensações,
que passa de dez.

Tem o jargão analitico,
e tem o quimico ( da pele).


Tem um modo
de dizer aqui fora
diferente
de dizer aqui dentro.

Mas eu renovo a intensa intenção
e fica tudo bem.


No fundo, eu diria do amante
que nunca entrou aqui,
dissertaria sobre ele,
se me pedissem,
e sobre o peso subentendido
dos meus pés
na maciez cimentada
de um recomeço.



Será que consigo
mais uma vez?

Definitivamente
desta vez
e com você?


__________________________________________


e é isso

então moça bonita
como você mesma diz:
e é assim....sempre

mas como julho tá quase no fim
e com ele..um friozinho..
e muito azul

neste dia frio
um bom lugar pra ler um livro?
e o pensamento só em você?
eu só preciso lhe dizer:
sim...gosto de você
mas se quer saber
se quero outra vida?
não...não...não!!!

então...

1/2 beijo com o gosto
ardido de uma saudade
...
e de uma vontade
de te devorar,
mais ainda
quando chove
e quando faz frio..........................


aNTONIocARLos
!
2007
:)
___faça o seu comentário aqui em baixo----V

sábado, 21 de julho de 2007

AVENCAS

Clique sobre a foto para ampliar...


























FRAGMENTOS (XV)


Há nuvens nesta manhã

nuvens esgarçadas

nesta manhã morna

e de borrasca

que invade a minha nave

provocando desmaios

nas orquídeas

dispostas em fileiras

na varanda silente

e os antúrios pegam-nas

no colo, e nem sentem...



Neste dia ofuscado

pelas sombras mesquinhas ...



De nuvens decaídas

sobre o meu congelado

sol imóvel...



Sempre com o aluguel atrasado

Nesta manhã...

Adormecida e comprida,

penso na musa

que deixei na cama

assim que acordei.


Exatamente

no vazio de alma

que a noite acalentei.


Uma imagem

me vem a cabeça

do mar que lança

sua bruma salgada

e deixa o cheiro forte

dos sargaços

e leva na volta...


no balanço das suas ondas

minhas lembranças

em pedaços...


fragmentos

de cânticos...


sono...

noite interrompida

por deuses marinhos

inundados

em águas salinadas e

cristalinas

vertidas de olhos

embaçados

que inundam

o oceano deste naufrágo

sem vida.



Argonauta, onde estás?


Por que insistes nesta rota

neste navegar

a esmo,

nesta aventura onde

nem em sonhos vejo

a possibilidade de encontrar

a mim mesmo ?



Neste pesadelo

onde tudo se dilui

se transforma

petrifica

e volta...



Nesta água turva...



Onde nado

para o nada

toda a madrugada



e é isso
moça do sorriso
de avencas
e da voz
de algodão doce


......aNTONIocARLos

JULHO
2°°7





quinta-feira, 19 de julho de 2007

QUINTANA

Clique sobre a foto para ampliar...


















"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906.


Creio que foi a principal coisa que me aconteceu.

E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo.

Bem!
Eu sempre achei que toda confissão
não transfigurada pela arte é indecente.


Minha vida está nos meus poemas,
meus poemas são eu mesmo,
nunca escrevi uma vírgula
que não fosse uma confissão.

Ah! mas o que querem são detalhes,
cruezas, fofocas...

Aí vai!

Estou com 78 anos, mas sem idade.

Idades só há duas:
ou se está vivo ou morto.

Neste último caso
é idade demais,
pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno,
temperatura: 1grau;
e ainda por cima prematuramente,
o que me deixava meio complexado,
pois achava que não estava pronto.

Até que um dia descobri
que alguém tão completo como Winston Churchill
nascera prematuro
- o mesmo tendo acontecido
a sir Isaac Newton!

Excusez du peu...

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim.

Dizem que sou modesto.
Pelo contrário,
sou tão orgulhoso
que acho que nunca escrevi algo
à minha altura.

MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA
texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984






pois é isso dona moça
nesta quinta de quintana
não é isso?

1/2 beijo

......aNTONIocARLos

JULHO
2°°7



domingo, 15 de julho de 2007

Modelo para armar

Clique sobre a foto para ampliar...

























"E não havia palavras,
porque não havia
pensamento possível
para essa força capaz
de transformar
pedaços de lembrança,
imagens isoladas e insignificantes,
num repentino bloco vertiginoso,
numa viva constelação
aniquilada pelo próprio ato
de mostrar-se,
uma contradição
que parecia oferecer
e negar ao mesmo tempo
o que Juan, bebendo
o segundo copo de Sylvaner,
contaria mais tarde
a Calac, a Tell, a Hélène,
quando os encontrasse
na mesa do Cluny
e que agora
lhe teria sido necessário
possuir de algum modo,


como se a tentativa
de gravar essa lembrança
já não provasse
que era inútil,
que ele estava jogando
pás cheias de sombra
contra a escuridão
e tua sombra me espera
atras de cada luz"




Instruções para chorar


(...)

Para chorar,
dirija a imaginação
para si mesmo,
e se isto resulta-lhe impossível
por haver contraído o hábito
de crer no mundo exterior,
pense em um pato
coberto de formigas
ou nesses golfos
do estreito de Magalhães
em que não entra ninguém, nunca.


Chegado o pranto,
se tapará com decoro o rosto
usando ambas as mãos
com a palma voltada para dentro.

As crianças chorarão
com a manga da camisa
contra a cara,
e de preferência
em um canto do quarto.

Duração média do pranto:
Três minutos.


Júlio Cortázar In:"Modelo Para Armar"






pois é dona moça
neste domingo
de céu azul
a lembrança de teu rosto
doura meus pensamentos
em poente


fico contente...?

dança comigo?
dança vai?

não é isso?

1/2 beijo

......aNTONIocARLos

JULHO
2°°7




sábado, 14 de julho de 2007

Alecrim




















E Junho passou.

Resta, entretanto,
um cheiro absurdo de alecrim
correndo entre meus dedos.

Meu corpo inteiro,
cúmplice do mesmo anseio,
exala sálvia e alecrim.

Perdura a sensação
desconcertante do banho.

O alívio extremado
e um medo de amar.

Riso pairando
nas folhas e no corpo
da Primavera.

A espuma escorrida
na fresta dos olhos.

Sabonete que virou lágrima
e as vezes um ser mitológico
querendo lamber,
engolir.

Sim, foi ontem
que a encomenda chegou.

Cheirava a alecrim.

Meu cheiro, minha promessa.

Bálsamo.

Meu presente e minha devoção.

Abri a caixa.

O desenho dos sonhos
embolado em papéis de presente.

Sabonetes, risos, cartas de consolação.

Aquela demonstração de afeto
me atingiu por dentro.

No meio da mais desajeitada emoção.

Enquanto despia a embalagem,
com muito jeito
para não constrangê - la,
pensei na remetente,
tão longe, mas
incrivelmente perto...
.
Com tanto carinho
que chegou a doer!

Tentei disfarçar,
mas meu riso
meio choro
não soube me esconder.

Toquei no envelope
como se toca uma face
enamorada.

Dentro,
repousavam meus destinos
mais secretos.

Minhas íntimas letras,
tão idiossincráticas letras,
grafadas nas letras de um anjo.

Afeto,
marcador de livro,
madrugadas compartilhadas,
longas conversas
enluaradas.

Bilhete dos sonhos,
bloco de anotações
e um cd do Simply Red.

Misturado a tudo isso,
sabonetes,
muitos sabonetes.

Sabonete em barra,
sabonete em espuma...

Em sensação.

Castanha-do-Pará, e,
claro,
Sálvia e Alecrim.

Um cd de Ella Fitzgerald
e outras delicadezas
pro meu coração.

Como se não bastasse
a cumplicidade de nossas almas,
já de longe meu maior regalo,
decidiu-me o anjo,
presentear-me com o perfume,
essência das intenções.


E o verde dos olhos
dançava feito criança
ao som de For Your Babies:

I dont believe in many things,
But in you I do.
Believe it or no
Pretty Woman...


O perfume
que me acompanharia
por horas a fio
espalhou-se pela casa,
revelando os desejos mais íntimos
que uma caixa como aquela
pode, em si,
conter.

Meu humor sereno,
percorrido de sonhos matinais,
ainda se espreguiçava de sono
logo que Os Correios
resolveram me surpreender.

Acordei
com o cheiro do alecrim,
e, com ele, fui dormir.

Me banhei,
me barbeei
me vesti
e fui a locadora
acompanhado dele.

Assisti Frida,
e no meio da história,
notei que o travesseiro
que me enroscava nas pernas,
e que me protegia do frio
do quarto solitário
e das não solitárias carências
do meu querer ser,
também cheirava a alecrim.

No corpo inteiro,
a mesma meta
e a mesma chegada.

Um mesmo cheiro.

Morada das recordações.

Dos sonhos
e da necessidade
de amar...

Ah!
Como preciso...

E quando esse sonho nasce
de uma tarde de chuva e muito frio,
como a que se fez apresentar
em Porto Alegre
do meu ontem;

nasce de um riso
embrulhado pra presente,
envolvido das alegrias
que só os gestos mais simples
sabem produzir;
olho de novo
a foto estampada no e-mail.

Sim teu sorriso é bonito;

Quando a meta
de mergulhar no outro
dá sinais evidentes
de sua procriação;
quando o amor
é também amizade,
desejo de estar perto,
sempre junto,
estar sempre mais;
quando, enfim,
em pleno Inverno
fim de tudo quanto é flor,
aqui dentro
tudo parece exalar sálvia
e alecrim,
haverá, decerto,
amor e felicidade eternas...


não é assim?

Anjo Bom...


então é isso moça bonita
um ótimo dia
prá ti...


......aNTONIocARLos

JULHO
2°°7